novo 007 vale por Javier Bardem e fotografia

Daniel Craig e Javier Bardem em '007 - Operação Skyfall' (Foto: Divulgação/United Artists)

O novo filme de James Bond, “007 – Operação Skyfall”, tem um diretor de boa reputação (Sam Mendes; Oscar por “Beleza americana”), fotografia bonita, cenas de ação que empolgam, um ator digno como protagonista (Daniel Craig), uma dose essencial de drama e outra de humor e, sobretudo, Javier Bardem na pele do vilão, que, logo em sua primeira aparição, toma o filme para si.

Não é pouca coisa, nunca é – “Skyfall”, que estreia nesta sexta (26), resulta em entretenimento melhor que razoável. Falta, no entanto, algo elementar: um roteiro que opere segundo noções de cinema – não de videogame, como parece ser o caso aqui. A narrativa progride como se estivéssemos num jogo, saltando de fase em fase.

A referência às diversões eletrônicas, por si só, não é algo de todo prejudicial, desde que se mostre como influência, não como um último recurso para garantir a atenção da audiência, cobrindo a limitação de uma trama simplória e vaga.

 

Comparado às duas produções anteriores com Craig no papel do agente – “Cassino Royale” (2006) e “Quantum of solace” (2008) –, “Skyfall” lida com temas mais urgentes, em tese, para o contexto atual. Fala-se sobre terrorismo, e há espaço para os interesses políticos e a burocracia que movimentam o serviço secreto em nações movidas a medo e paranoia.

Na aparência e no discurso, portanto, o filme está preocupado com a sua cota de seriedade. Mas não está preocupado com o desfecho que atribui a tais questões nem com relações mínimas de causa e consequência.

Apresenta-se um tema, fala-se sobre ele, por vezes com ar angustiado e tenso. E fim. Porque logo tem de vir a próxima “fase”. Num país novo, se possível.

Nesses termos, “Skyfall” obedece a uma lógica própria. Um exemplo. Ainda no primeiro terço da projeção, James Bond enfrenta um sujeito em Xangai, numa luta filmada com coreografada notável, sob contraste de luz notável. Qual o passo seguinte, aonde 007 deverá ir, haverá investigação? Algum suspense é sentido ali, até que o agente revista os pertences do inimigo, encontra a ficha de um cassino onde se lê “Macau” e… Pronto: está justificada uma viagem a Macau.

As atrizes Berenice Marlohe e Naomie Harris em Londres, nesta quinta-feira (3), durante anúncio do novo filme de 007 'Skyfall', que será lançado em novembro de 2012 (Foto: Reuters)

 

O roteiro, assim, passa por cima de personagens, não faz questão de resolver de um jeito além do óbvio os enigmas que apresenta e investe num drama previsível. Sintoma disso são os preparativos para a batalha derradeira, na qual Bond surge ao lado de sua chefe, M (Judi Dench), e mais um aliado. Estão os três isolados nas montanhas, a atmosfera é sombria, enquanto aguardam o homem mau. Tudo, porém, soa forçado, uma espécie de “Esqueceram de mim” sem ingenuidade. Se, apesar disso tudo, “Skyfall” resulta numa produção que supera a mediocridade, é por instantes isolados de inspiração.

As passagens de combate (como a de Xangai); as piadas com relação ao anacronismo dos métodos do veterano James Bond (e Daniel Craig vai bem, neste particular); e, com maior investimento, a presença de Bardem como um psicopata afetado (há uma passagem em que ele lembra Hannibal Lecter, de “O silêncio dos inocentes”) têm vigor suficiente para compensar um punhado de deficiências. Mas serão lembradas como bons momentos de uma história mais banal que parece.

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